ARTES MARCIAIS, DESENVOLVA AUTODEFESA E AUTOCONTROLE EMOCIONAL!

Camila, educadora física e faixa preta em karatê, revela os benefícios das lutas para as mulheres

Por Camila Goedert da Costa em 07/02/2019 às 10:16:20

Arquivo

Desde pequena sempre gostei de artes marciais, meu pai praticava kung-fu e sempre me incentivou para que aprendesse a me defender. Quando estava na creche, enquanto todas as meninas praticavam aulas de ballet, eu queria treinar Judô com os meninos. Pois naquele tempo ainda existia separação nas escolas onde "meninos lutavam e meninas dançavam". Na época minha mãe foi à escola e solicitou que as meninas também fossem inseridas nas aulas, e foi assim que ganhei meu primeiro kimono (vestimenta usada em aulas de Judô, Jiu-jtsu, Karatê entre outras). O amor pelas artes marciais só aumentou, quando sai da creche parei com o Judô e pratiquei, por um tempo, Capoeira. Quando estava com 11 anos procurei um centro de treinamento e descobri que havia um CRAS, Centro de Referência de Assistência Social, próximo à minha casa. Lá ofereciam, através da prefeitura da minha cidade, várias aulas gratuitas e foi onde comecei a praticar karatê.

Existem vários estilos de Karatê no mundo, mas em resumo, é uma Arte Marcial Japonesa disseminada há quase cem anos. Em minha primeira aula já me apaixonei, além de defesa pessoal, agrega toda uma filosofia de vida baseada na disciplina, no esforço, na persistência e principalmente no respeito ao próximo. Fui atleta de Karatê por muitos anos, participei de competições regionais, nacionais, internacionais e conquistei a tão sonhada faixa preta em 2016. O Karatê de fato mudou a minha vida, influenciou diretamente na escolha da minha profissão, pois assim como meu professor, eu tinha vontade de transmitir meus conhecimentos para outras pessoas. Então iniciei a graduação em Educação Física, consegui atingir outras áreas de trabalho, mas o Karatê nunca deixou de ser à base da minha vida.     

A representatividade feminina inseridas nas Artes Marciais está cada vez maior o que me deixa imensamente feliz. Para nós, mulheres que lutam, não é apenas sobre saber nos defender caso seja necessário. É indescritível como a Arte Marcial contribui para o aumento da confiança e encoraja a enfrentar nossos medos dentro e fora do tatame, (tatame é o local de treinamento) e principalmente enfrentar a nós mesmos. Não podemos controlar o que acontece em nossas vidas, mas podemos controlar como iremos enfrentar àquilo que acontece conosco. Seja de forma corajosa ou covarde, ou de uma forma agressiva ou gentil, e assim, aos poucos conseguimos compreender que tudo está na maneira em que decidimos encarar as situações. O Karatê também auxilia no desenvolvimento motor, no fortalecimento muscular, na flexibilidade e ainda tem um alto gasto calórico.

O grande diferencial do Karatê está no ensinamento do autocontrole emocional, como já dito a cima, não se trata de um esporte agressivo, mas sim, de um esporte onde ensina autodefesa e o autocontrole emocional. Auxilia a enfrentar os mais diversificados sentimentos como: medo, raiva e insegurança. Outro grande diferencial é referente à socialização com o restante da turma, aprendendo a respeitar os alunos mais graduados e os alunos iniciantes, respeitando a diversidade das outras pessoas e assim, gerando empatia ao próximo. Recomenda-se ser praticado de duas a três vezes na semana, com aulas de duração de uma hora. Como qualquer outro exercício físico, após a sua prática, são liberados vários hormônios no organismo, como por exemplo: a serotonina, o hormônio do bem-estar, um dos responsáveis por regular o humor, o sono, o apetite, o ritmo cardíaco, a temperatura corporal, a sensibilidade à dor e etc.

Ao começar a praticar Karatê, os alunos iniciam como faixas brancas, o que requer muita cautela por parte dos professores para introduzir de forma gradativa a iniciação à luta e aos treinamentos físicos intensos. Tudo é feito de forma progressiva para evitar expor aos alunos situações que ainda não estão preparados fisicamente, psicologicamente e emocionalmente. Conforme o nível técnico do aluno vai evoluindo, começa acontecer os exames de faixa, e consequentemente, a intensidade dos treinamentos. No início, os praticantes podem sentir dificuldade na compreensão de nomes, movimentos e golpes, pois são todos em Japonês, mas ao decorrer os treinos o aluno fica cada vez mais familiarizado. Uma dúvida que todo iniciante tem: "Se irão quebrar tábuas, ou se machucar nas lutas." No Karatê-Do Tradicional não utilizamos estes métodos de quebrar tábuas ou telhas, embora algumas Artes Marciais ainda utilizem. Sobre as lesões causadas pela luta, com a utilização de protetores minimizamos muito os riscos de lesões. Costumo dizer que o Karatê é como uma escola, primeiro reconhecem as letras, formar palavras para depois ler e escrever, pois no Karatê aprendemos os movimentos de base, golpes e defesas, sempre aos pouquinhos de forma gradual.                                                                              

O processo dentro de uma Arte Marcial é bem lento, no Karatê pode demorar, em média, sete anos para conquistar a faixa preta. Porém é um processo que deve ser feito com amor, amor pelo esporte e amor pelo seu corpo, afinal você mora nele, certo?! Sua qualidade de vida ao passar dos anos vai depender do seu estado físico e também do seu estado mental. Alimente-se corretamente, beba água, faça atividade física regularmente para ser uma pessoa mais saudável e não para se encaixar nos padrões estéticos da sociedade, e principalmente, busque o equilíbrio da sua mente. Aprenda a se amar do jeitinho que você é e não se cobre tanto. Cuide-se por você, cuide-se por amor!